Um Dragão com Alergia - Ana C. Nunes

Numa terra de dragões, Kervarünim era apenas mais um entre muitos lagartos alados gigantes e cuspidores de fogo. 


Não possuía a beleza resplandecente dos Dragões de Água, cujas escamas cintilavam à luz do sol e ofuscavam todos quantos se perdessem a admirá-los. Nem sequer o corpo maciço e quase inquebrável dos Dragões da Terra, venerados até pelo solo que estremecia quando as suas potentes asas os elevavam nos céus. Nem tão pouco era rápido como os Dragões do Ar, lagartos sinuosos que deslizavam pelos céus de forma quase invisível e eram capazes de abater outros dragões em menos de um segundo – os factores surpresa e rapidez, aliados à gravidade não deixavam dúvidas sobre quem eram os verdadeiros reis dos céus. 

Os Dragões do Fogo eram aborrecidos. Cuspiam fogo, sim senhor, mas pouco mais faziam. E isso de pouco lhes valia contra os jactos cristalinos dos aquáticos, a força dos terrestres e a destreza dos aéreos. Não! Os dragões do fogo viam-se aborrecidos grande parte do tempo, estendidos ao lado dos canais de lava que os mantinham quentes, mas afastados dos seus irmãos de nome. 

E assim havia crescido Kervarünim, no meio de outros dragões como ele: banais, menosprezados e constantemente mal-humorados (possivelmente em consequência da quase exclusão social). 

Atirar bolas de fogo aos outros dragões, durante o tempo de brincadeira, tornava-se aborrecido depois de alguns anos a fazer o mesmo todos os dias, à mesma hora, com os mesmos dragões que, por serem também eles dragões do fogo, eram imunes aos ditos jatos de calor. 

Daí que não tenha sido surpresa quando Kervarünim se prestou a sair em voo descuidado pelos céus, ignorando os conselhos alheios e até maternais. As suas asas membranosas, ainda em fase de crescimento, arreliaram-se contra os ventos amenos e fizeram-no rodopiar pelo ar numa demonstração de falta de coordenação que fez a sua progenitora corar por baixo das escamas vermelhas enquanto o via afastar-se e se mantinha aninhada ao pé do seu mais recente rebento. Apesar de ainda ser um dragão jovem, a sua progenitora estava convencida que ele, Kervarünim, tinha idade suficiente para lidar com as consequências das suas escolhas. No entanto, se pudesse falar, certamente a mãe dir-lhe-ia (ou berraria) que ganhasse juízo e voltasse para trás, mas Kervarünim, tal como todas as outras crias, nunca prestava muita atenção ao que a mãe dizia. Não é que não a amasse, mas todos sabiam que as mães exageravam e que os jovens sabem sempre mais e melhor. 

Que mal poderia haver em visitar o território dos dragões de terra? Não tinham todas as quatro raças relações próximas? Não haviam, em tempos, estado todos juntos? Kervarünim desconhecia o porquê de agora estarem separados mas, tendo em conta as esculturas de lava que via nas cavernas, sabia que antes todos eles conviviam em harmonia, até que deixaram de o fazer, passando apenas a coabitar com algumas quesílias sempre presentes – nada de grave, pelo que sabia -. 

Ele voou até onde as suas jovens asas lhe permitiram mas, quando avistou o azul resplandecente das águas, decidiu descer e pousar as patas vermelhas nas margens do extenso lago azul que enchia o vale formado por duas grandes montanhas verdes. A areia grossa fazia-lhe cócegas nas almofadas das patas e entranhava-se-lhe entre os dedos, arrepiando-o, até que um largo sorriso lhe escapou do focinho. Brincou largos minutos no areal, saltando nas quatro patas, arrastando montes de areia com a cauda sinuosa e esfregando o pescoço na relva fresca que crescia ao longo da linha de água. 

No meio da relva viu, pela primeira vez, flores. Na terra dos dragões do Fogo nenhuma vida prosperava, para além da sua própria espécie, e a mãe nunca o deixara brincar nos campos verdejantes em volta dos vulcões e que tanto o fascinavam. 

Cautelosamente aproximou-se da pequena flor branca com centro amarelo, que se destacava no meio de tanto verde. O seu longo focinho vibrou, inalando o cheiro gracioso e subtil da planta. Do seu corpo saiu um som quase parecido com um ronronar e fechou os olhos, cheirando uma e outra vez a pequena planta, esperando gastar-lhe o cheiro ou até, talvez, desejando que este se transferisse para ele. Assim ficou durante muito tempo, inspirando profundamente, vendo a pequena planta oscilar enquanto quase a sugava pelas narinas. 

Um estranho restolhar das ervas fê-lo erguer as orelhas pontiagudas no ar e levantar a cabeça. De olhos inquietos, Kervarünim perscrutou as dunas até que os seus olhos alaranjados caíram sobre uma silhueta sinuosa que se erguia no cimo de uma grande duna verdejante, contra o sol, de asas majestosas abertas. 

Sorrindo Kervarünim saltou até junto do outro dragão. Ao aproximar-se percebeu que não era um dos seus amigos e parou a escassos centímetros de embater nele. De corpo esguio e pele escamosa e brilhante, com não mais que uns dois metros de comprimento e umas asas que se esticavam bem maiores que o seu jovem corpo, estava uma fêmea de dragão, de focinho achatado, guelras fechadas, enormes olhos azuis e salientes, patas finas, quase como barbatanas e uma cauda carnuda que terminava fina e se abria em duas finas barbatanas quase transparentes. A jovem dragoa da água olhava-o curiosa. 

Miraram-se por instantes, estranhando-se. Kervarünim nunca estivera tão próximo de um dragão da água e pressentiu que ela nunca convivera com nenhum dragão do fogo. 

Rodearam-se lentamente, cheirando-se com cautela, sem se tocarem ou fazerem movimentos bruscos. Ela foi a primeira a inverter o sentido e aproximar-se do rosto dele, talvez cansada da sua indecisão, lambeu-lhe o longo focinho vermelho com a sua língua lilás e prontamente saltou para cima dele, encavalitando-o. Apanhado de surpresa, Kervarünim caiu na relva e rebolou duna abaixo, juntamente com ela. Aterrou de costas e esperneou-se alguns instantes, pateticamente. Assim que se levantou a Dragoa voltou a saltar para cima dele, mas dessa vez ele estava preparado. Rebolaram os dois nas dunas, engolindo areia e erva, rindo, mordiscando, arranhando e guinchando de alegria. 

Hunivëry, a dragoa da água, voava com elegância, ao contrário dele, que mal se conseguia aguentar-se nas asas. E tão concentrado estava no seu desempenho que não percebeu que tinham subido uma encosta e a paisagem se alterara. O verde da relva estava salpicado de branco, rosas pálidos e amarelos tímidos. O cenário parecia outro e não fosse avistar a sua amiga junto do lago, juraria que estava no local errado. 

Com o focinho, Kervarünim apontou para as flores, das quais não conseguia arrancar os olhos. O verde de relva perdia-se no brilho das cores luminosas das flores. 

Percebendo a atenção dele nas belas flores, ela roçou o focinho molhado no dele e desceu, incitando-o a segui-la. Ele assim o fez, atento a todas as suas patadas, cuidadoso para não pisar nenhum planta branca, amarela ou rosa, esticando o pescoço para as cheirar as todas, zonzo com tal overdose olfativa. 

Sentiu alguma comichão nas narinas mas não parou de cheirar tudo o que lhe aparecia à frente, expandido as fossas nasais até quase parecerem rebentar. Hunivëry observava-o, curiosa e imitava-o de tempo a tempos. 

Ele cheirou mais uma flor e algo no interior do seu nariz rebentou. Fechando as narinas, o dragão de fogo ergueu a cabeça bem alto. A sua amiga imitou-lhe a pose, alerta, e quando o dragão do fogo deu alguns passos atrás e abanou violentamente a cabeça, ela assustou-se e afastou-se. 

De pescoço esticado, focinho comprido e retorcido, olhos semicerrados e uma expressão horrorosa presa na boca, Kervarünim enrolou as patas umas nas outras e urrou, um espirro. Chamas vermelhas projectaram-se-lhe da boca entreaberta e saíram na companhia de uma camada espessa de ranho, pegando fogo ao verde das ervas e ao branco, amarelo e rosa das flores. 

Os olhos de Kervarünim encheram-se de lágrimas e ele prendeu a respiração, numa tentativa desesperada de aprisionar o espirro, mas não o conseguiu por mais que uns segundos e quando o soltou, foi pior que o anterior. Mais fogo e mais ranho. 

Lambidas pelas chamas, as dunas pareciam gemer de dor. Hunivëry bateu as asas e levantou voo para se afastar do fogo. Do alto puxou do seu interior um jacto de água e apagou os fogos mas os espirros dele não cessavam e cada gritinho alérgico vinha acompanhado de bolas de fogo. 

Kervarünim tremia entre espirros e tentava conter a sua recém-descoberta alergia, mas via-se sem forças para combater o seu sensor interno. Hunivëry, vendo a aflição dele, sobrevoou as costas do Dragão do Fogo e desceu sobre ele. Com cuidado, fechou as patas sobre os ossos das asas dele e ergueu-o no ar, esticando o pescoço e, forçando os músculos, levantou-o no ar o mais que pôde, afastando-o do campo de flores. O dragão ainda espirrou várias vezes durante o voo, quase fazendo com que ambos caíssem, mas quando ela o pousou no areal, as suas narinas inflamadas estavam bastante mais calmas. 

Ele caiu no areal, em prantos, escondendo o focinho entre as patas dianteiras. Ela suspirou e deitou-se ao seu lado, batendo-lhe com uma das patas nas costas, tentando acalmá-lo. 

Remelento e ranhoso, Kervarünim levantou o focinho para mirar as belas dunas verdes e, mais á frente, as flores que haviam sobrevivido ao seu ataque alérgico. Os estragos não tinham sido tão extensos como temera. Enquanto espirrava sem contenção, pensara ter posto todo o vale a arder, mas pouco mais que alguns metros de terreno fértil estavam chamuscados. 

De focinho trémulo e lágrimas em queda, ele voltou-se para a amiga e lambeu-lhe o focinho, num gesto de agradecimento. A dragoa fez uma careta enojada e limpou o ranho transferida para si, com as patas, dando-lhe depois uma patada no focinho para que ele não voltasse a lambê-la naquele estado. 

Ferido no seu orgulho, Kervarünim arrebitou o focinho, semicerrou os olhos amarelos quase felinos e levantou-se com um salto. 

Tão depressa estava em cima das quatro patas como caiu, raspando o focinho na areia grossa. Hunivëry rebolou na areia, chorando um riso estranho e forte que muito se assemelhava a um rugido. Bufando, o dragão do fogo virou-lhe costas e enrolou-se, batendo com a cauda pontiaguda na própria bochecha. Quase se levantou de novo, com os nervos, mas sentindo-se fraco das patas decidiu ficar quieto, para não dar novo espetáculo à amiga que rebolara até cair dentro e água. 

Ela saiu do lago confiante e sorridente, sacudindo o corpo e salpicando-o, o que o deixou ainda mais mal-humorado, enrolado e sisudo. Hunivëry pousou a cabeça na barriga dele e suspirou, olhando o céu e depois olhando-o a ele. Na ausência de resposta física, mordiscou as orelhas do dragão e puxou-as. Ele debateu-se, dando-lhe patadas e tentando morder as orelhas dela, sem sucesso. Ela abocanhou-lhe a cauda, ele virou-se para a atacar, mas já ela se adiantara, beliscando-lhe o pescoço. Furioso, não ferido, Kervarünim atirou-se sobre ela. De olhos arreguilados e boca aberta, a dragoa não teve tempo de se afastar. Com o peso dele caiu ao lago e ele foi junto. 

Qual gato escaldado, o dragão do fogo saltou mal as suas patas entraram em contacto com a água, mas na sua aflição pulou para o lado errado e acabou totalmente dentro de água. Tentou voar mas as asas molhadas não lhe permitiram a façanha. Hunivëry mordeu-lhe a orelha e, antes que ele pudesse protestar, puxou-o para terra firme. 

Desgastado e patético, o dragão deixou as patas cederem e o seu corpo tombar na areia esbranquiçada. Engasgou-se com água e tentou deitá-la toda para fora, envolvendo-se depois numa tentativa de deitar fogo. Nada mais saiu que fumo, o que o fez engasgar-se. 

Hunivëry observou tudo com os dentes pontiagudos à mostra e os olhos esticados num sorriso. Saltou para cima da barriga dele e um jato de água saiu da boca do dragão do fogo. Divertida voltou a pular em cima dele, que, deitado de lado na areia, já não dispunha de forças para a afastar. A cada salto uma nova fileira de água lhe saia da boca e por uns momentos Kervarünim julgou ter engolido todo o lago. Mas o lago ainda lá estava, azul, calmo e intocado, enquanto um dragão do fogo recuperava as forças e uma dragoa da água se divertia a atormentá-lo.



A Floresta da Morte (1/4) - Pedro Pereira

Ivan apertou o casaco com força contra o peito. A neve batida a vento ameaçava gelar-lhe as entranhas a qualquer momento. Maldita a hora em que o patrão o enviara para aquele fim do mundo. Apesar da neve e do vento forte, o dia estava longe de ser frio para o que eram as temperaturas habituais na Sibéria. 

– É este o maldito lugar? 

– Sim, é esta a floresta – respondeu Dimitri, ao companheiro de trabalho. 

Os dois homens afastaram-se do velho carro vermelho e aproximaram-se da orla da floresta de coníferas. 

A floresta era densa, repleta de vegetação alta e de árvores com vários metros de altura. Era impensável penetrar por entre aquela vegetação, ainda mais com aquele tempo. 

– Tens a certeza que o idiota do Ygor fez bem a análise do solo? 

– Absoluta – garantiu Dimitri. 

Ivan trabalhava para uma multinacional russa que explorava minérios valiosos. O seu trabalho era simples, ele e a sua equipa encontravam zonas promissoras para exploração e acompanhavam todo o processo até a instalação da operação estar concluída. A Sibéria era conhecida pelos solos ricos em carvão, ferro, ouro e diamantes. Aquela zona em particular mostrara-se bastante rica em ouro. Pelo menos era o que indicavam as análises de Ygor, o técnico de laboratório que trabalhava na atual equipa de Ivan. 

– Muito bem. Liga aos tipos dos bulldozers. Quero-os amanhã aqui sem falta. Temos de nos livrar de todo este matagal e derrubar as árvores. 

– Derrubar as árvores?! 

Ivan e Dimitri voltaram-se para ver quem falava. À sua frente estava um camponês, um homem na casa dos oitenta anos, mal vestido, de barba branca e semblante carregado. 

– Não podem deitar as árvores abaixo! – protestou na sua voz rouca. 

– E posso saber porquê? – questionou Ivan. 

– A morte abate-se sobre quem perturbar a paz desta floresta. Se enfurecerem o espirito da floresta irão ter de pagar as consequências… Se prezam as vossas vidas, deixem este lugar em paz! 

– Superstições locais – segredou Dimitri. 

– Oiça senhor… 

– Yuri, Yuri Petrovitch. 

– Oiça senhor Petrovitch, o meu patrão comprou estes terrenos por uma bela quantia e tenciona explorá-los. Não se preocupe com a floresta, eu asseguro-lhe de que ela não nos vai fazer mal. Você mora aqui perto? 

O velho apontou para o outro lado da estrada, onde se encontrava uma casa antiga. Pelo aspeto, Ivan quase era capaz de jurar que estava desabitada. 

– Oiçam o que eu vos digo! Se perturbarem a floresta vão pagar o preço com as vossas vidas! 

– Dimitri, não te importas de acompanhar o senhor Petrovitch a casa? 

O homem louro e encorpado agarrou no velho pelo braço e afastou-se em direção à casa em degradação. 

– Doido varrido… – comentou Ivan para si. Voltou-se de novo para a floresta. Passou com a mão pela barba de três dias enquanto estudava mais uma vez o cenário. Iniciaria os trabalhos no dia seguinte. Com sorte, assim que as instalações estivessem prontas, talvez conseguisse que o seu patrão o transferisse para outro local. Aquele inferno gelado no norte da Rússia não era para ele.


Parte 4:
Parte 3:
Parte 2:

Indivíduo 103 (3/3) - Pedro Pereira

Recupero a consciência à medida que as drogas vão abandonado o meu organismo. Curiosamente, apesar de a dosagem ter sido maior, não parecem fazer tanto efeito como da primeira vez…

As criaturas ainda estão no laboratório. Discutem umas com as outras. Não se apercebem de que acordei.

– Ele é claramente perigoso e instável! Não o podemos manter nesta situação!

– E o que sugeres que eu faça, Lorek? Que mate a nosso maior feito em vinte anos de investigação?!

– Não vejo outra alternativa. Ele é demasiado instável. O doutor viu a amplitude daquelas ondas psíquicas. Não há registo de nada assim!

As criaturas conspiravam para me matar. É este o meu propósito? Ser apenas uma cobaia de laboratório? Este não pode ser o meu destino!

– Doutor! Os níveis psíquicos!

– O quê?! Não é possível! Ele devia estar a dormir! Os sedativos, rápido!

O líquido verde é novamente injetado no tanque. Sinto o meu corpo a ficar entorpecido, mas logo de seguida recupero o vigor. Estou mais forte.

– Não é possível! Não está a funcionar!

Liberto a minha energia psíquica contra o tanque que me aprisiona. Os tubos e a parede de vidro explodem em milhares de fragmentos. Estou livre.

– Matem-no! Depressa!

Uma das criaturas corre na direção com uma arma de fogo. Ele dispara. Ergo uma barreira psíquica em meu redor e bloqueio os projéteis.

– Fujam!

Lanço uma onda de energia contra o meu atacante. O ser é atirado pelo ar contra a parede. Ouve-se o inconfundível som de ossos a partir com o embate. O corpo cai inerte no chão com o pescoço dobrado num ângulo estranho.

Os restantes correm em pânico para as saídas do laboratório. Bloqueio todas as saídas com a minha mente. Agora eram eles os prisioneiros.

Uma a uma, ataco aquelas mentes rudimentares. As criaturas caiem ao chão sem vida com a massa encefálica a escorrer-lhes pelas fossas nasais.

Deixo uma das criaturas para o fim. O meu criador.

Ao contrário dos restantes, este ser parece não ter medo de mim. Não foge, não grita. Limita-se a olhar para mim com um estranho ar de orgulho e de loucura nos olhos.

Aproximo-me.

– Quem sou eu?

– Quem és tu?!

– Qual é o meu propósito?

A criatura parece espantada por me ver falar na sua língua.

– Tu és o resultado do meu trabalho, de uma experiência para trazer os Inai de volta ao nosso mundo. Uma raça há muito extinta e que desapareceu misteriosamente. Criámos-te a partir do ADN de um Inai. Foste o primeiro espécime a sobreviver…

– Então sou uma cópia… Uma mera sombra do Inai que usaram.

– Oh, não! Tu és muito mais do que isso! Nós melhorámos o teu ADN. És mais forte e mais poderoso do que qualquer Inai que alguma vez tenha existido.

– E o que vai acontecer agora que a vossa experiência terminou?

– Mas a experiência ainda não terminou! Os verdadeiros testes ainda nem sequer começaram!

Estas criaturas… Eu não significo para elas. Não passo de uma cobaia de laboratório.

Aumento a pressão intracraniana do meu criador. O ser cai de joelhos ao chão no momento em que o seu crânio explode. Pela parede escorrem os restos do que sobrou do cérebro.

Percorro as instalações agora desertas e destruo o que resta do laboratório. Abandono o pequeno edifício envolto em chamas e penetro na densa floresta que o rodeia. Eu não nasci. Fui criado. Quem sou eu? Quem me mandou criar? Qual é o meu destino? Eu vou descobrir o meu propósito. Vou descobrir quem me mandou criar, ele irá responder às minhas perguntas. E depois? Depois vou vingar-me. Vou eliminar todos os responsáveis pelo meu cativeiro e quem se atrever a atravessar no meu caminho. Este mundo vai aprender a temer-me…